terça-feira, julho 07, 2020

as estrelas infinitas e perdidas invadiram a cidade: turbilhão de estrelas incandescentes e sinistras e sobretudo pequenas demais para suas mãos, para suas mãos muito dignas, pudessem se defender delas, podia-se dizer o numero de contar a tarde inteira, contar a tarde inteira, nas ruas sem mureta de cidade pequena, cidadela imensa que esta para terminar agora, respirando o nada até chegar a não respirar

as estrelas infinitas e perdidas luzem e reluzem enquanto caem e a beleza é ofuscada pela morte instantânea dos sujeitos da cidade: teóricos e trabalhadores, gente que se multiplica, se multiplica sem somar, antes deles se foram os satélites, depois as construções, depois os medos (o absurdo não está separado nem da vida, porque o seria da morte?), o turbilhão de estrelas incandescentes não podem se multiplicar, mas se somam até formar uma massa de luz sonora que se tange no horizonte- luzes bemóis e sustenidas que espantam esta tarde- de tal maneira estetizante e barroca que lembraram-se que, sem música, a vida é erro; esquecer pode ser ouvir, de qualquer forma, não poderia haver finitude mais lógica.

(Texto de 2007, publicado no site "Overmundo". Link para esta volta no tempo: http://150.165.204.43/banco/tempestade-2)

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