domingo, novembro 18, 2007

Escadarias

As escadas agora parecem maiores

mas é apenas, pois, agora que eu realmente olho para os meus pés
As dimensões não me cegam mais, mas os espaços se misturam, das noites na Glória podem lembrar a Rua Triste (que passei quando mais jovem). O lento e o fugaz no mesmo plano das lembranças.

As escadas conduzem, as luzes não giram e eu, verde e mais sóbrio, distancio

segunda-feira, novembro 12, 2007

serenidades

Se me chamo personagem é porque não sou louco. Nada paira na cidade fingida, tudo se perde e as frases que são certas são lidas por um avesso.

Não há revolta, só uma respiração e, se não há compreensão, é preciso concentrar-me em outra frente.

E andar no centro com outra serenidade, como a idade que não tenho, como um vazio desenhado de inteiro

respiração

respiração
branca
me absorve

e sorve
o tempo dado
pra instante decisivo

Jornalistas ocupados do mundo, uni-vos

terça-feira, novembro 06, 2007

vernissage

Chamapagne, roman à clé, detalhes expostos, voltas, uma voz que não me chama, justo essa.Injusto. Sigo não sem antes respirar e adentrar a iluminação. As crianças são as primeiras a ultrapassar a linha and my failings are not exposed. Alguns olhos se encontrou, "você gosta dessa?", "você sabe ler uma pintura?", "você veio pela champagna?". As luzes la fora latejam, as mãos não tocam, isso não deveria ser familiar, sorrio, você sorri, a voz não me chama e eu fecho os olhos pela angústia. Mas há alegria sincera, sim há, pode-se ouvir no meu rosto

volto com as lembranças e os quilometros a andar, e as canções. Pois no fim das contas, é uma historia repetindo diferente.

segunda-feira, novembro 05, 2007

easy

Now I am ready. My quotations are not easy to love:thay are pleasant but not always harmful. That´s why I´m turning to the sea, the city in my back is so little/ For me the sea is not easy to love:my failures trying to leave the outskirts of the city I was living, the city I am leaving. The love indeed is not so easy to love.

Now I am ready, my fragile soul exposed as a turning point of my future standing here. I am not so hard to love but I couldn´t have been somehow.Expectations, hesitation, all the parts of this body is automatically yours. A body to be touched, a gift to be promised. This things that ever was

pretty easy to love.
Somehow.

domingo, outubro 28, 2007

parando um pouco
pra melhor
continuar

terça-feira, outubro 23, 2007

haikai inverso

acordar
recordar
acontecer e nunca
acontecer

sentir
iludir
emanar cinza luz
concordar

oriente vs ocidente

ficar um tempo sem pensar em nada pode ser reconfortante

os budistas é que são espertos, por isso que o oriente pode dominar os afobados do ocidente

Falência

Acho que é essa cidade, essa cidade estranha, esse ar anuviado que não me deixa respirar, essas nuvem que parecem branca mas na verdade exalam um cheiro pesado e hostil

acho que foi o que eu disse, acho que foi tudo falível

não foi exatamente assim, e o grande problema, pensando bem, é bem esse: nunca é EXATAMENTE assim,
sempre o que parecia centro vai pra órbita

quinta-feira, setembro 20, 2007

entrevista com Piva

Minha amiga Renata D´Elia (junto com Paula Dume) fizeram uma entrevista SEN-SA-CIO-NAL com o grande poeta Roberto Piva, leia aqui:

sexta-feira, setembro 14, 2007

Vergonha nacional: estou com sorte

olha só: digite "vergonha nacional" no google e clique em "estou com sorte"
pra ver o que acontece
:)

segunda-feira, setembro 03, 2007

pergunta

escutar música das 5 da tarde ás 3 da manhã de um domingo, mais alguém?

sexta-feira, agosto 10, 2007

Retorno com Bacanal



Havia dois tipos de bacanais: as festas religiosas celebradas em época certa, em homenagem a Baco, que o mesmo deus celebrava perpetuamente, e as festas ou orgias do culto dionisíaco, famosas na história de Roma, em virtude da proibição com que as suspendeu o Senado, no ano 186, a.C. Um minucioso relato do historiador Tito Lívio e o texto do "Senatus Consultus de Bacchanalibus", conservado numa prancha de bronze, permitem conhecer com exatidão a história das bacanais romanas e os motivos que determinam a rigorosa medida do Estado contra eles. Um grego, de baixa condição, espécie de sacerdote e adivinho ambulante, foi quem introduziu na Etrúria as práticas religiosas do culto a Baco, que até então só era conhecido na Magna Grécia.
O culto se celebra durante a noite, admitindo-se homens e mulheres indistintamente, e essa promiscuidade, unida ao furor báquico, foi que deu origem a todos os excessos de libertinagem. Foi da Etrúria que os mistérios dionisíacos chegaram a Roma, levados pela sacerdotisa Paculla Annia. No princípio, eram festas noturnas, assistidas apenas por mulheres, Paculla instaurou a promiscuidade, fazendo a festa cinco vezes por mês, na qual homens e mulheres se entregavam a todos os excessos do vinho e do amor, possuídos do furor sagrado de Baco. A orgia era em ambiente privativo dos iniciados, e seus participantes tinham o dever de guardar segredo sobre as práticas a que se entregavam.


(...) De qualquer forma, nunca deixou de existir a festa pública celebrada todos os anos a 16 de março, chamada Liberalia. Liber era também o nome latino de Baco. Por fim, é interessante notar que o nome de bacantes, depois estendidos também aos homens, era inicialmente reservado às mulheres que se entregavam ao culto orgiástico do deus. Além disso, vale a pena lembrar que as bacantes eram senhoras da melhor origem patrícia, escolhidas entre elas as de mais ilibada reputação, pois as práticas da orgia religiosas constituíam não uma imoralidade, mas um ato de comunhão com a divindade


Fonte: Wikipedia

Ediçao: minha
Foto: filme "Glissements progressifs du plaisir" de Alain Robbe-Grillet, 1974

quinta-feira, junho 21, 2007

A noite e o Folk

Voltava pra casa. Noite e as ruas tão gastas sendo novamente violadas. Ouvia uma canção no fone de ouvido; a canção,o acorde e o timbre da guitarra e a melodia em Si me lembrava mar, e me alegrei em perceber que a musica tinha "Beach" no título.

Pois sim, coincidencia adivinhada.
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(Horas depois)
Por ora, estou completamente fascinado por esta singela canção:
http://www.last.fm/music/The+Finches (The house under the Hill, é só ouvir/baixar)

incrivel como coisas singelas possam provocar um efeito tão forte às vezes

domingo, junho 10, 2007

Gramática

Não é possivel usar o imperativo na voz passiva

domingo, maio 20, 2007

Broadcast



o Broadcast existiu mesmo? ou fui um sonho embalado por melodias sessentistas, teclados setentistas/oitentistas tendo como cenário a Birmingham dos anos 90? um sonho pop que as vezes pegava uns sons emprestados do mundo dos pesadelos?
uma das bandas mais esquecidas e injustiçadas dos anos 90, dificilmente lembrada por quem não viveu direito essa decada confusa (como eu)
na foto, a vocalista Trish Keenan.



segunda-feira, maio 14, 2007

Blog em Férias (frustadas) por algumas breves semanas

domingo, abril 29, 2007

terça-feira, abril 17, 2007

aguado

Aguado.
e nem pra transbordar..;

sexta-feira, abril 06, 2007

Abat-Jour

hoje eu tenho afinidade com as luzes baixas
luz baixa, luz certa, reflete no corpo e na mente
canção lenta, adagio, presto. P´ra que?

sexta-feira, março 30, 2007

Gentle Tuesday, Sad and Lonely Are



uma das minhas músicas favoritas

clássico perdido do Twee Pop

clipe cheio de Guitarras Rickenbacker e campos escoceses

quinta-feira, março 22, 2007

Ruby Suns

Sabe essas coisas que você baixa sem querer no soulseek? Então, numa dessas descobri uma música incrível chamada Maasi Mara, de uma banda chamada The Ruby Suns.

Na verdade, esta "banda" é um projeto-solo de Ryan McPhun (embora ao vivo conte com muitos musicos), Californiano vivendo na Nova Zelândia que já militava na cena independente (participou do The Brunettes) e que decidiu usar seu porão/estúdio para gravar canções belas, sessentistas e algo psicodélicas.

Para quem gosta de: Velvet, Beach boys, dias californianos, musica que é complexa partindo do simples, dias nublados.

Para ouvir e ver: http://www.youtube.com/watch?v=hrnWPfbCC2I

quarta-feira, março 21, 2007

Câmera Escondida

O quarto serve de rua, pois ele caminha e traféga de um lado pro outro, passos precisos mas sem direção nenhuma, nenhuma. A Câmera digital não capta o som dos violões dedilhando um folk novo (e pouco folclórico), ela ainda anda, esperando sinal, lembrando que é proibido ultrapassar o seu desejo de passos. Não entendia como ele, pessoa tão urbana, se imaginava rodeado de arvores, não que fosse hippie, ele não tinha outro espaço pra ser livre. A musica sobe contendo violinos e guitarras ligadas em amplificadores valvulados; a respiração dele contem pianos de calda soando em sol sustenido, slow down, can you save my reputation? Tensão de olhos esperando respostas e com um resto ainda de pergunta.Lost in a way

Ele está sustenido

sexta-feira, março 16, 2007

Do dia de chuva.


Um dia de chuva, finalmente um dia de chuva, a parabólica não funciona e capaz que a Luz já saia de cena. Eu precisava; aquele sol era o Oposto de mim, o calor me Machucava, agora o céu é cinza uniforme, com a sombra da cidade levemente trasparecendo. Agora o clima, corpo e tempo são um só, agora posso me deter ao meu estado


A nova fase continua, confusa por meios diferentes

domingo, março 11, 2007

The Shins- Wincing the Night Away (2007)

Após uma carreira com muitos pontos altos, O The Shins lança um album belíssimo, forte e definitivo: Wincing The Night Away. Gravado no estudio-porão de James Mercer e produzido pelo veterano Joe Chiccarelli (que já trabalhou, entre produção mixagem e engenharia de som; com Beck,U2, Brian Wilson,Bangles,etc), esse novo album mescla o senso melódico e as letras espertas de sempre com uma produção que deixa o som mais coeso, denso. O Jangly pop continua alí: mescla-se toques eletrônicos, sem se apoiar demasiadamente a nada disso. destaca os violões sem ser folk e os teclados sem ser (tão) oitentista, há uma notória e surpreendente evolução de "Saint Simon" a "Girl Sailor"

Depois de serem trilha de seriados e filmes nos Eua (incluindo "Bob Espoja"), não ficaram mais tão restritos ao circuito indie. Este novo album não é um album inocente, a palavra certa é singelo ou honesto, e neste caso, foi uma mudança para melhor, é um pop que não é tão solar, assemelha-se mais a um final de tarde/início de noite.

Sleeping Session já é uma das melhores faixas de abertura do ano: a voz de Mercer com eco, emaranhada em um teclado climático "Go without,'Til the need seeps in" , a musica vai num crescendo até se tornar um rock agitadinho, e o vocal pedir uma identificação com o novo estado dele "Just put yourself in my new shoes,And see that I do what I do,Because the old guard still offend,We got nothing left on which we depend"

Austrália é uma canção que poderia ser single, começa ironica "Time to put the earphones on:No!" e passeia por situações tipicamente jovens "Been in love since you were twenty-one,You haven't laughed since January,You try and make this up this is so much fun,But we know it to be quite contrary". Destaca-se o belo trabalho dos instrumentos de corda: um entrosamento entre o violão, banjo e guitarra dedilhada que é um dos mais empolgantes do album.

Pam Berry, quase uma vinheta, os timbres lembram o jesus and mary chain do inicio, todavia menos "microfonada" do que a dos irmãos escoceses.

o primeiro single é Phanton Limb: introdução com um teclado estranhão porém discreto, guitarras brilhantes, refrão que empolga mas não exatamente "explode": apenas uma guitarra com trêmolo, outra bem baixa com distorção e um violão são suficientes para destacar o refrão. a letra passeia por memórias ("We wandered through your mama's house,And the milk from the window lights,Family portrait circa ninety-five") e conclui: "Follow the lines and wonder why/ There's no connection."

Sea Legs é a mais suingada, balanço+harmonia quase mistica ao violão, o solo de teclado Moog na segunda metade da musica confere um carater setentoso á banda.

Red Rabbits: Teclado quase esquisito, letra viajandona e viajante ("Hurled to the center of the Earth again,The place where it's hot, love"...."Born on a desert floor, you've the deepest thirst". Balada levada basicamente á teclado e violão, há um interessante solo ao fim da canção: uma guitarra com Slide entrelaça-se a um violino, um responde ao outro, erudito+popular, tradição+modernismo.

As guitarras de Turn on Me podem ser Echo-and-the-Bunnymenianas, mas a canção em si não lembra demasiado os anos 80, Mercer canta sobre o amadurecer sem se deixar contaminar pela hipocrisia "So affections fade away,And do adults just learn to play The most ridiculous, repulsive games?"

Continuando: Black Wave é uma balada contemplativa, em Split Needles há um toque levemente Post-punk (letra criativa "I've done myself an impossible crime,Had to paint myself a hole") , e a já citada Girl Sailor é novamente sixtie -tremolos, backing vocals, melodia Merseybeat-

A Commet Appers é uma canção de ninas com discretos efeitos para dar um efeito mais "espacial", de uma leveza extrema ("Take a drink just to give me some weight") é a ultima faixa do disco. "There is a numbness,In your heart and it's growing". Com essa frase acaba (mais) um album definitivo, saimos entorpecidos (no melhor sentido)

quinta-feira, março 08, 2007

murmuro doce



A novidade vem de Tokyo: Mai Tsuyutani, garota que passava as tardes a absorver o melhor da musica ocidental em sua alma (especialmente Twee pop, Stereolab e My Bloody Valentine,mas conta que ela também curte Elis, Sergio Mendes & brasil66 e Chris Montez, apesar de não serem influencias diretas) e montou o Murmur, banda-de-uma-garota-só que pode não parecer muito com o primeiro album do R.E.M, mas é um bocado simpático: acordes ensolarados, mudanças de andamento inesperados e um vocal doce e agudo que, apesar soar infantil demais em alguns momentos, é bastante agradavel.


Ela lançou Good Grief em 2005, que infelizmente passou desapercebido, tem faixas lindas como a semi-stereolabiana "The Man´s Wish", a sorridente "What has Happened" e a climática e shoegaze "You Don´t Know", Mai Gravou sozinha e usa uma banda de apoio para shows

se você gosta de musica fofa, sincera e criativa, fica a dica


P.S: só não consegui mais informação pq o site oficial (http://www.geocities.jp/murmur_net/ ) tá todo em japones e eu não falo Lhufas de japones

Just hug my lips and say good lies

quarta-feira, fevereiro 28, 2007


eu quero ver o lado errado das coisas e nao ser pessimista claro

sábado, fevereiro 24, 2007

também quero
usar lanterna e dizer tinindo
com voz de vidro azul que nada
nada vai te separar nada vai ficar na reserva
e quase que não vai ter magoa, meu bem

sábado, fevereiro 17, 2007

percorrer as ruas com solidão displicente,
as explicações me são agora invulneráveis,
percorrer sem pressa, um exercício de quase
auto-violencia

andar pelas ruas descampadas (ruas como telas onde a luz foge cinzenta) e chegar ao arrebalde seco e presenciar- o erotismo que chega ao poder- aos beijos que
desde a Grécia já se podem roubar,os corpos não estão secos e
se fingem de invisível
as explicações me são agora
vulneráveis, ele pensou em trair sem ter "como pode?" mas pensou
como enganar a tardinha tão amada, essa orgia anunciada diante
desses olhos desbotados e quase-velhos, ao lembrar da colisão dos corpos jovens
que desde Athenas se matam sem saber no arrebalde paulistano.

A Colisão sem choque, as várias, as costas escalando as sombras (as luzes são fracas frente-a-frente) e todas as órbitas , os passantes

Até que a pausa chega e leve tudo, respirar até inverter
a desordem e a repetição que é lembrança e tudo um pouco

quarta-feira, fevereiro 07, 2007




Sabe, eu sabia pacas disso tudo, sabia, mas aí num dia eufórico, eu explodia, tomei um ônibus sem mal saber ao certo pra onde iria, encontrei uma menina que talvez me aceitasse, mas dispararia a falar demais de abrisse os lábios e continuei como estava

No fim de tudo nem fui tão longe
Mas tive aquele esquecimento saudável de dia útil, aquela dor obrigatória, e mais tarde um sorriso sem querer

domingo, fevereiro 04, 2007



Grande Mastroianni!

segunda-feira, janeiro 29, 2007

os ultimos dias de férias são sempre os mais estranhos, os com mais cara de meio-termo,os que eu noto que minhas anotações tão recentes já são do passado, os que eu tenho nostalgia de nada: nostalgia do nada- as horas tão doces vão ficando salgadas.

é hora de dizer "sei lá" pra tudo, lembrar de alguma coisa e ver o que se quer daqui pra frente

pra ouvir: the last day of summer, do Cure. considerada pela Selene a música mais triste do mundo. eu discordo um pouco- a concorrencia é forte- mas não deixa de ser uma candidata de peso

sexta-feira, janeiro 26, 2007

unica linha sobre o show dos mutantes:

Mutantes tocando "A Minha Menina" Sem Fuzz?? como assim?

sábado, janeiro 20, 2007

Caio de Novo

"Como você sabe, dirás feito um cego tateando, e dizer assim, supondo um conhecimento, faria quem sabe o coração do outro adoçar um pouco até prosseguires, mas sem planejar, embora planejes há tanto tempo, farás coisas como acender o abajur do canto depois apagar a luz mais forte, criando um clima assim mais íntimo, mais acolhedor, que não haja tensão alguma no ar, mesmo que previamente saibas do inevitável das palmas molhadas de tuas mãos, do excesso de cigarros e qualquer coisa como um leve tremor que, esperas, não transparecerá em tua voz. Mas dirás assim, por exemplo, como você sabe, sim como você sabe, a gente, as pessoas, infelizmente têm, temos, essa coisa, emoções, mas te deténs, infelizmente?"

Caio Fernando abreu

sábado, janeiro 13, 2007

De "Taxman" para "chamei um taxi".

Sempre pensei em compilar versões de Beatles feitas por bandas brasileiras nos anos 60, porém, alguém teve a ideia antes de mim e "Beatlemania brasileira" já está circulando pela net

além dos já esperados Renato e Seus Blue Caps e Ronnie Von, estão nomes completamente obscuros, com o The Spokes (que fizeram uma versão ultracool de "Fool on the hill" com bons vocais femininos) e os Rubis (com uma honesta versão instrumental de "good Day Sunshine")

a unica coisa em comum entre as faixas é mesmo os FabFour: a qualidade instrumental e de gravação varia muito de uma faixa pra outra, há os que optam pela versão em portugues ou pelo cover em ingles (geralmente sofrivel)

das versões que não alteram muito o original, cito a Don´t Bother Me com The Bells (que adicionou sax e orgão), o Fevers com Aquela Garota (She´s a Woman, que por mais que eu odeie os Fevers dos anos 70, sou obrigado a reconhecer que essa versão ficou muito boa e bem gravada), Os Santos com uma "A night Before" levemente mais garageira e Marcio Greick com "Estou sozinho" (uma Eleanor Rigby com exatamente o mesmo arranjo Martiniano da original)

das recriações: além dos já citados spokes, tem o Trio esperança transformou a folk "I´ll follow the sun" numa joven guarda típica, Matinha fez de Yesterday uma balada fossenta, Ed Carlos dizimou toda a psicodelia de "Lucy in the sky with diamonds", e os Youngsters, por nao ter guitarra de 12 cordas, apostaram nos graves da guitarra para sua versão quase troggiana de "a Hard day´s night".

Trofeu Bizarrice: Meire Pavão, que tinha uma respeitavel carreira no inicio do rock brasileiro, fez uma versão prá la de tosca de Taxman (imagine o solo de taxman sem distorção)

em suma, a coletanea vale pela curiosidade, mas poucas versões tem qualidade mesmo
na minha opinião, deveriam ser incluídas a boa versão de "Day tripper" do conjunto lafayette e a sen-sa-cio-nal versão de Lady Madonna dos Mutantes, que imperdoavelmente ficou de fora.

se quiser ouvir, baixe aqui:

Beatlemania Brasileira

terça-feira, janeiro 09, 2007

Melhores de 2006 [Parte 2]

BANDAS (Sem ordem de preferencia)

superguidis
peter bjorn and john
Telerama
Rosal
El perro del mar
Beirut
Mellotrons
Jens Lekman
Whitest Boy Alive

Musica nacional:
Stereoplasticos- lonas bicolores
Ecos falsos- bom amigo inibié
Bazar Pamplona- Agora eu sou vilão
Telerama- Cruz
Leticios-Ana Cristina Desconcertada
Menino Errado- o Avesso
Telesonic- Lembre-se
Vanguart- Semáforo


musica estrangeira:
midlake- roscoe
Peter Bjorn and John- Young Folks
Sonic youth- incinerate
knife- you take my breath away
Eight Legs- Tell me What Went Wrong
The Debuts- Go Set Go
El ten Eleven- Connie
El Perro Del Mar- This Loneless
Pedro The Lion- I Am Always the One Who Calls

e sim, com todas as injustiças, com todos os que nao entraram na lista

segunda-feira, janeiro 01, 2007

2006 musical (Parte 1)

Ano Variado, como costumam (e costumarão) ser os anos nessa era de mp3. 2006 talvez ficará marcado como um ano sueco (eles sempre foram produtores de boas canções pop, desde a psicodelia do Hep Stars ao Abba) mas esse ano eles se superaram: Peter Bjorn and John, pra mim o melhor lançamento do ano, é dessa simpática terra nórdica, que ainda tem a grandiloqüência do Love is All (Arcade-fire-menos-teatral), a delicadeza de Jens Lekman e a fofice acústica do Perro Del Mar (ou Sarah Assbring) e o delicioso Tecnopop Brega do the Knife (“parece trilha-sonora do Celso Portioli”, já diria meu amigo Cris, outro fã dessa banda).

de outro lado, o Beirut, rapaz que se aproveita da sua virgindade em certos instrumentos pra fazer um som totalmente inusitado (sim, muitas das gravações são os registros da primeira vez que ele empunhou os instrumentos).os Raconteurs tiveram um álbum de estréia razoável mas a zombieana-setentista "Steady as she goes" foi a melhor coisa que as rádios comerciais tocaram.

Há coisas tão diversas os oitentistas Hips like cinderella e os neo-shoegazer do the sky drops (já citados nesse blogue), tem também o som instrumental do el ten eleven, o som para madrugadas do Midlake (ouça roscoe as 3 da madrugada e feel-it-yourself) e a simplicidade pop e violoes de Nylon do Rosal (porteños). Gosto também dos espanhóis do Zinedines

nem tão novos: gostei do novo do Nouvelle Vague, todavia,a formula "versão acústica de 80´s" não deve funcionar mais por muito tempo; o novo do Tv on the Radio é bom -com uma boa participação do bowie- mas ouvi-o muito superficialmente pra comentar aqui,não gostei do novo do snow patrol (não gostei da produção,mais "pesada")

dos "véios", destaque pros albuns do Stereolab e Flaming lips, e mais destaque ainda pra Rather Ripped do Sonic Youth, que fizeram um album comparável com seus clássicos e seguem sendo a banda que melhor envelhece (ou melhor, a que melhor não-envelhece).

Brasil-sil-sil

Boas novidades esse ano, queria pontuar especialmente a qualidade técnica dos álbuns: bandas como Gram e Superguidis tiveram albums com produção que não deixa a desejar pra muito disco gringo, para acabar de vez com o nosso "complexo de vira-lata", como diria o mestre Nelson Rodrigues.De novidades, o rock safadinho dos Letícios (que musicou versos da Imensa poetisa Ana Cristina César), as sombras do LaBelle, as canções curtas e escuras do Lades e o funk-indie das impostorA e do Role, sem esquecer do Vanguart, que fez sucesso com a bela Semáforo (que continuem fazendo boas letras em português). Na contramão de tudo (digo tanto a “fofice” quanto as referencias oitentistas) os Nordestinos do Mellotron, que fazem um rock influenciado pelas coisas jóia dos anos 90 e cantam em ingles

Não dá pra não falar do Tired Of Being Sexy, há muita gente que torce o nariz, mas é simplismente uma banda que faz um som descompromissado e divertido, banda projetada talvez não para ser a banda preferida de alguém (daquelas que você coleciona tudo e segue e se identifica com as letras), mas pra se divertir um bocado. Anyway, a NME deixou em terceiro lugar

e claro, na categoria são-meus-amigos-mas-são-bons: o pop sem medo de se-lo do Telerama e o single pratos quebrados/narciso do Móbiles (cheio de ecos e boas letras: "arranca-me da festa/sem adeus/só me devolve a rua/te quero coração vazio") e el nuebo de los pirata (elvis esta muerto, pero jesus ressucitou uma das melhores frases espertas do ano)