domingo, maio 04, 2008

competição

(texto adiado em razão da minha efermidade, oh! que drama! Não confiem nos "ontens")

Ontem ouvi duas entrevistas (uma no rádio e outra na revista veja AKA manual da classe média assustada/assustadiça) e, refletindo, encontrei alguns pontos em comum.

A primeira foi com uma professora de universidade no Rio de Janeiro que discorria sobre a imposição do modelo Barbie/Suzie no mercado de brinquedos para meninas. Criticou a imposição do modelo americano e a educação "cor-de-rosa" que as meninas recebem; segundo ela, não prepara as meninas para o mundo competitivo, o mercado (prestar atenção a esses conceitos, falarei deles a seguir) diferente dos meninos, sempre acostumados a competir.


Não discordo da professora, todavia:

1) Os Eua é o país que mais recebe imigrantes no mundo, multidões de paquistaneses, italianos, sírios, mexicanos e guatemaltecos entram diariamente no país, portanto, nem todas as garotas "estadunidenses" tem esse padrão "Barbieano". É um erro apenas demonizar os Eua e esquecer que se trata de um país complexo, tão ou mais quanto o nosso. Essa questão deve ser tratada com cuidado, e não neste viés "bem versus mal"

2)Se ela condena o padrão das bonecas, faz um elogio ao "mercado" e a "competição". Não sou ingênuo e sei que o mundo atual se estrutura assim, mas poxa, aonde o "mercado" e a "competição" nos levou? a um mundo onde um assalariado livre trabalha mais que um escravo do século passado, um mundo onde as crianças fazem vestibular pra entrar na pré-escola (no mínimo).

Além disso, é um conceito tão importado quanto as bonecas que amaldiçoou: a revolução industrial iniciou o "viver para trabalhar" ao invés do "trabalhar para viver". Devia ter sido engraçado naqueles primeiros tempos: os burgueses de Manchester parando de gastar para acumular e investir em mais fábricas.

aí entra a entrevista da Veja, o entrevistado é Rubens Barrichello (Auto-Retrato, Página 158, edição 2059). Perguntado sobre o que o estimulava a continuar na carreira com um carro ruim, respondeu algo como "apenas a paixão pela velocidade, e não me interessa o que os outros pensem, se fazem piada ou não". Achei uma coisa bonita o fato do corredor não priorizar a competição em sua vida (que o fez aceitar uma posição humilhante há poucos anos). O estranho foi ele ter dito que o que o inspirou a essa nova tomada de posição foram alguns cafonérrimos livros de auto-ajuda, cujo mote nunca foi outro que o "melhore, seja o melhor, seja um vencedor também".

Passei a vê-lo com um pouco mais de simpatia, embora ele afirme que "ainda quero ser campeão do mundo". O velho Rubinho ainda existe nele, persistindo nos velhos sonhos?

Esse conceito de competição desmedida e o culto ao Winner é perigoso num país terceiromundista como o Brasil, onde ao menos metade da população tá fora do jogo desde o começo, e quem perde não pode recorrer a nada nem a ninguém. O Laissez-Faire do mercado acaba deixando as pessoas à própria sorte, o mercado se auto-regula (em tese), as pessoas não.

Por um mundo mais equilibrado, por assim dizer, é isso que eu espero, sem esperança.

10 comentários:

fernanda disse...

Por um mundo com mais direito a segundas-feiras ao sol.

Thaiza disse...

Rá! essa da barbie foi boa! eu já contei já do super mega evento que teve do banco, com a irmã do Ayrton Senna sobre o Instituto AS? Ela foi falar da importancia dos projetos, da desigualdade social no Brasil, dos jovens e crianças ajudados, e que colocaram o dvd da Madonna, Like a Virgin, na abertura e serviram até caviar no final?
Me senti no Quanto vale ou é por quilo.
Beijo
Keep on writing!

Olga Costa disse...

Fê,
O que esperar numa Veja, não é mesmo?
O questionamento que põe em cheque a própria estrutura mercadológica/ideológica do veículo comunicativo, não interessa de modo algum!
Quanto ao Rubinho... Sem comentários!:)
Que bom que você retomou! Que bom lhe encontrar por aqui!
Beijo grande!

Ju disse...

a felicidade é fantasiada de sonhos de competição e consumo. que pena...
:(
beijos, Fer. gostei das reflexões!

.mãos coloridas disse...

eu que já nao quero mais ser um vencedo-o-or levo a vida devagar pra nao faltar amo-o-or.

mas no caso do rubens, é BEM mais ser assim qdo se ganha seus bons milhoes/ano. enfim.

giancarlo rufatto disse...

1.existiam barbies morenas?
serio não lembro.
2. acho que o lesbianismo está diretamente ao fato de que o ken não tinha um pinto.
3. toda vez que alguem escreve "estaduniense" demoro pra me ligar que estamos falando dos EUA.
4. hoje, dá pra dizer que tudo é facilmente adaptavel de acordo com a vontade. não sou muito de competição, não gosto de brigas, nem de loiras (morenas...ahhh), mas por ex fiquei 23 anos preso no corpo de um obeso e nunca aceitei isso.

John disse...

Ha, o mundo da voltas, sumi, me derreti e voltei.. e esbarro aonde! no seu blog! bacana Niero.. ta mandando muito bem nos textos! ainda nos temos no msn? na verdade nunca mais acessei akilo. bom até uma proximo nessa virtualidade doida.

Ju disse...

"atualiza, pô!"
;-)
beijão, Fer. gosto muito desse teu texto!

Ju disse...

voltei... para reforçar o recado acima!
:p

Ju disse...

respondi teu comentário colocando uma dedicatória no meu post.
bjs!