Após uma carreira com muitos pontos altos, O The Shins lança um album belíssimo, forte e definitivo: Wincing The Night Away. Gravado no estudio-porão de James Mercer e produzido pelo veterano Joe Chiccarelli (que já trabalhou, entre produção mixagem e engenharia de som; com Beck,U2, Brian Wilson,Bangles,etc), esse novo album mescla o senso melódico e as letras espertas de sempre com uma produção que deixa o som mais coeso, denso. O Jangly pop continua alí: mescla-se toques eletrônicos, sem se apoiar demasiadamente a nada disso. destaca os violões sem ser folk e os teclados sem ser (tão) oitentista, há uma notória e surpreendente evolução de "Saint Simon" a "Girl Sailor"
Depois de serem trilha de seriados e filmes nos Eua (incluindo "Bob Espoja"), não ficaram mais tão restritos ao circuito indie. Este novo album não é um album inocente, a palavra certa é singelo ou honesto, e neste caso, foi uma mudança para melhor, é um pop que não é tão solar, assemelha-se mais a um final de tarde/início de noite.
Sleeping Session já é uma das melhores faixas de abertura do ano: a voz de Mercer com eco, emaranhada em um teclado climático "Go without,'Til the need seeps in" , a musica vai num crescendo até se tornar um rock agitadinho, e o vocal pedir uma identificação com o novo estado dele "Just put yourself in my new shoes,And see that I do what I do,Because the old guard still offend,We got nothing left on which we depend"
Austrália é uma canção que poderia ser single, começa ironica "Time to put the earphones on:No!" e passeia por situações tipicamente jovens "Been in love since you were twenty-one,You haven't laughed since January,You try and make this up this is so much fun,But we know it to be quite contrary". Destaca-se o belo trabalho dos instrumentos de corda: um entrosamento entre o violão, banjo e guitarra dedilhada que é um dos mais empolgantes do album.
Pam Berry, quase uma vinheta, os timbres lembram o jesus and mary chain do inicio, todavia menos "microfonada" do que a dos irmãos escoceses.
o primeiro single é Phanton Limb: introdução com um teclado estranhão porém discreto, guitarras brilhantes, refrão que empolga mas não exatamente "explode": apenas uma guitarra com trêmolo, outra bem baixa com distorção e um violão são suficientes para destacar o refrão. a letra passeia por memórias ("We wandered through your mama's house,And the milk from the window lights,Family portrait circa ninety-five") e conclui: "Follow the lines and wonder why/ There's no connection."
Sea Legs é a mais suingada, balanço+harmonia quase mistica ao violão, o solo de teclado Moog na segunda metade da musica confere um carater setentoso á banda.
Red Rabbits: Teclado quase esquisito, letra viajandona e viajante ("Hurled to the center of the Earth again,The place where it's hot, love"...."Born on a desert floor, you've the deepest thirst". Balada levada basicamente á teclado e violão, há um interessante solo ao fim da canção: uma guitarra com Slide entrelaça-se a um violino, um responde ao outro, erudito+popular, tradição+modernismo.
As guitarras de Turn on Me podem ser Echo-and-the-Bunnymenianas, mas a canção em si não lembra demasiado os anos 80, Mercer canta sobre o amadurecer sem se deixar contaminar pela hipocrisia "So affections fade away,And do adults just learn to play The most ridiculous, repulsive games?"
Continuando: Black Wave é uma balada contemplativa, em Split Needles há um toque levemente Post-punk (letra criativa "I've done myself an impossible crime,Had to paint myself a hole") , e a já citada Girl Sailor é novamente sixtie -tremolos, backing vocals, melodia Merseybeat-
A Commet Appers é uma canção de ninas com discretos efeitos para dar um efeito mais "espacial", de uma leveza extrema ("Take a drink just to give me some weight") é a ultima faixa do disco. "There is a numbness,In your heart and it's growing". Com essa frase acaba (mais) um album definitivo, saimos entorpecidos (no melhor sentido)
domingo, março 11, 2007
The Shins- Wincing the Night Away (2007)
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4 comentários:
Eu gosto muito de Shins, mas quando ouvi esse disco, não gostei muito... aí apaguei deixando ele de lado. Pensando bem, foi uma baita besteira ter feito isso.
Darei mais uma chance aos caras. Afinal, não dá mesmo pra julgar nenhum disco em uma audição só =)
abs
Acho que você vai gostar, a banda é realmente especial. Conheci ela por causa de uma coletânea da Él Records (www.cherryred.co.uk/el/), uma das minhas gravadoras preferidas. Eles lançaram último EP pela Él.
E que é isso, linkei o blog porque gostei mesmo =)
Beijos
Só pra registrar meu passeio por aqui...
Falou!
Hmmm, ainda estou conhecendo a banda. A química não rolou ainda.
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